Um filme imperdível...
O artista nova-iorquino Julian Schnabel, cuja obra como pintor se afirmou mundialmente desde o início dos anos 80, veio a realizar, primeiro, «Basquiat» (1996), sobre a extraordinária e vertiginosa vida e pintura do jovem vagabundo novaiorquino Jean-Michel Basquiat; depois, em 2000, «Antes que Anoiteça», sobre o escritor cubano Reynaldo Arenas, que fugiu de Cuba e veio a morrer na miséria em Nova Iorque, por sinal dois anos depois de Basquiat. Em 2007 conclui dois filmes, «O Escafandro e a Borboleta» e este «Lou Ree¿s Berlin». Assim, rapidamente, não é fácil pensar a relação entre os filmes e a pintura de Schnabel. São filmes sobre artistas, em torno de um homem que tornou numa figura, sobre «what becomes a legend most».
«Berlim», assim se chama o filme em português, passou no Indie Lisboa do ano passado, por duas vezes. Volta agora. Trata-se de um momento (uma série de concertos) de um dos maiores artistas dos últimos trinta anos do século XX.
Não se pode perder um filme assim, porque é um filme perto de Lou Reed, do seu corpo, da sua voz. Talvez, passados estes anos depois da gravação de BERLIN, em 1973, cujos temas são retomados nestas cinco noites filmadas no St. Ann¿s Warehouse, em Brooklyn, Nova Iorque, se esteja longe do fulgor desse álbum. Mas há outro fulgor que agora está mais perto. Ganha-se em grão, ganha-se em tempo, ganha-se em horizonte, ganha-se em vozes. Como no extraordinário momento de intensidade, e também de realização, em que Anthony canta com Lou.
Anthony, tremendo todo, fazendo comover Lou Reed, tensão que a câmara apanha num movimento de panorâmica. Grande momento do filme! Quem não ficar todo em pele de galinha quando Anthony começa a cantar «Candy Says», não pode sentir nada do que se passa ali. E quando Anthony chega ao «What do you think I d see / If I could walk away from me», o que podemos fazer senão chorar? Lou responde: «I'm gonna watch the blue birds fly over my shoulder» e continua, comovido, e continuam, os dois, Lou e Anthony, mostrando que o artista é aquele que se sacrifica. Pelo menos, é essa a forma que tenho para descrever o significado disto. É artista aquele que consegue perder mais, aquele que consegue perder em grande.
Lou Reed é um homem que parece comover-se pouco, mas é daqueles que mais nos fazem comover, que mais nos devolvem a vida vivida em palavras de canto, em palavras do tempo passado pelas sensações de cada um. O seu corpo, os seus movimentos presos, são já voz, são já canto. O filme mostra-nos isso.
É pois um filme de um homem em palco, não esquecendo os excelentes músicos que o acompanham com cumplicidade, não esquecendo o coro, extraordinário. Acompanham as canções (o som) imagens de um suposto tempo, «in Berlin, by the wall», com «Caroline» e «Jim»: «Oh Jim, how could you treat me this way?» É a actriz Emmanuel Seigner que aparece nessas imagens enevoadas, evocativas. É um procedimento simples, justo, porque não sobrepõe nenhuma narrativa supérflua à intensidade das histórias e das canções. Dá-lhes, pelo contrário, uma espessura suave, vaporosa, que parece corresponder a qualquer coisa como... os anos passados, todos estes anos que passam e que com isso nos envolvem de um sentimento elegíaco.
Veja-se como o mais pequeno está perto do mais grande, uma chávena de chá e o rock n roll. No início, Schnabel apresenta o concerto (e o filme) evocando uma série de nomes, presentes uns, outros não, e fala do chá iídiche da mãe de Lou Reed, que está presente (Schnabel também é de origem judaica). E no final pergunta: «falta alguma coisa, Lou?» Lou responde: «Não». Não falta nada, com o chá iídiche não fica a faltar mais nada: «you know, her life was saved by rock n roll / yes, rock n roll».

Sobre o album:
Berlin is a 1973 album by Lou Reed, his third solo album and the follow-up to Transformer. In 2003, the album was ranked number 344 on Rolling Stone magazine's list of the 500 greatest albums of all time.
The album is a tragic rock opera about a doomed couple that addresses themes of drug use and depression. Upon its release, the response of fans and critics was not positive as many were expecting another upbeat glam outing.[citation needed] Despite lukewarm reviews the album reached #7 in the UK album chart (Reed's best achievement there). Poor sales in the US (#98) and harsh criticism made Reed abandon the album and in subsequent years he rarely played any 'Berlin' material in his live shows. Over time many have come to consider 'Berlin' to be among Lou Reed's best studio albums as a solo artist.[citation needed]
Musically, Berlin differs greatly from the bulk of Reed's work, due to the use of heavy orchestral arrangements, horns, and top session musicians. Instrumentally, Reed himself only contributes acoustic guitar.
"The Kids" tells of Caroline having her children taken from her by the authorities, and features the sounds of children shouting for their mother. The Waterboys take their name from a line in this song.[1]
"Sad Song" references Mary I of Scotland in its initial verses:
Staring at my picture book
She looks like Mary, Queen of Scots
She seemed very regal to me
Just goes to show how wrong you can be
As with Reed's previous two studio albums, Berlin re-drafts several songs that had been written and recorded previously. The title track first appeared on Reed's solo debut album, only here it is lyrically simplified, the key changed, and re-arranged for piano. "Oh, Jim" makes use of the Velvet Underground outtake, "Oh, Gin". "Caroline Says (II)" is a rewrite of "Stephanie Says" from VU. The Velvets had also recorded a rather sedate demo of "Sad Song", which had much milder lyrics in its original form. "Men of Good Fortune" had also been played by the Velvets as early as 1966; an archival CD featuring live performances of the band playing at Andy Warhol's Factory provides the evidence of the song's age. The CD featuring the early performance of "Men of Good Fortune" is not for sale and can only be heard at the Warhol museum in Pittsburgh, Pennsylvania.
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