21.5.09

Modigliani - o artista da minha alma

'A beleza tem seus direitos dolorosos: cria, porém, os mais belos esforços da alma' - Amedeo Modigliani



'Nascido na Toscana, em julho de 1884, Modigliani foi desde cedo um impetuoso apaixonado pela vida, disposto por natureza a não seguir regras de espécie alguma. Sua infância dividiu com uma série de complicações de saúde e a desdobrada atenção de sua mãe, que o levava a visitar os museus. Foi assim que tornou-se aluno do estúdio de Guglielmo Micheli, um paisagista algo distanciado das tendências do que então era dado como vanguarda. O agravamento da saúde o conduz a várias cidades, sempre em busca de tratamento. A passagem por Capri, Nápoles, Roma e Florença alia um roteiro de cura à oportunidade de dedicar-se exclusivamente ao desenho.

Sempre acompanhado de sua mãe, Modigliani segue revelando um espírito irreverente, dotado de intenso sentido de independência. Pouco afeito às aulas nos estúdios em que se inscrevia, segue preferindo os passeios por museus. Sua última instância na Itália é Veneza, quando conhece obras do Impressionismo e sobretudo apaixona-se pelo expressionismo alemão. Tem pouco mais de 20 anos e logo compreende que não pode seguir residindo na Itália. Muda-se então para Paris, em 1906, e logo passa a conviver com os artistas do Bateau Lavoir, um grupo que se encontrava freqüentemente nas mesas do Lapin Agile, em Montmartre.'

'Não pintava nus, e sim pessoas despidas de suas máscaras sociais. O nu propiciava uma revelação do corpo, tão ocultado quanto o sentimento. Modigliani captava com exímia facilidade a expressão ulterior de cada modelo seu, tendo retratado alguns várias vezes. Era um obsessivo da condição humana.'

Abel Salazar


Abel Salazar e sua irmã, Dulce Salazar, em S. Miguel de Seide – Casa de Camilo


O artista

O afastamento da vida académica permite-lhe desenvolver em sua casa uma produção artística variada na temática e na expressão plástica: gravura, pintura (paisagens, retratos, ilustração da vida da mulher trabalhadora e da mulher parisiense), pintura mural, aguarelas, desenhos, caricaturas, escultura e cobres martelados (caso único entre os artistas contemporâneos)

Para Amândio Silva, Director artístico da Casa-Museu durante quase 50 anos, Abel Salazar “como pintor foi sempre um intérprete de uma realidade social do seu tempo. As variadas técnicas que sofregamente o vemos experimentar são umas das facetas mais notáveis do seu temperamento de artista e da sua capacidade polivalente”.


"As coquete"

"A Actividade literária, artística e filosófica de Abel Salazar, no período decorrente entre a sua demissão e a sua reintegração, em 1941, foi, de facto, o período da sua vida em que logrou maior notoriedade e influência públicas(…)pela intensa colaboração que prestou a periódicos regionais e nacionais (periódicos que tinham, como denominador comum, a sua oposição à Ditadura), pela publicação de alguns livros de inegável interesse (como Paris em 1934, Recordações do Minho Arcaico e O Que É a Arte?), pelas extraordinárias exposições individuais dos seus quadros no Porto e em Lisboa, em 1938 e 1940, e, enfim, porque foi esse período em que definiu, com mais nitidez, as suas ideias políticas, as suas concepções acerca duma ciência positiva dos fenómenos psíquicos (a caracterologia) e dos fenómenos histórico-sociais (a sua teoria biomecânica da história), em que se empenhou na vulgarização da filosofia da revolução científica do século XX (o empirismo lógico e a suposta "falência" da metafísica) e mostrou que a Arte não só era compatível com a ciência e o religiosismo indefinido, mas que era uma actividade essencial ao ser humano.”
"Génese e Evolução do Ideário de Abel Salazar"
Norberto Ferreira da Cunha


A Fundação Eng. António de Almeida, ofereceu à cidade, uma escultura de Abel Salazar da autoria do escultor Helder de Carvalho, para o Jardim do Carregal com inauguração no próximo sábado dia 23 às 12 horas.



Espero que o Porto continue a povoar os seus jardins, com obras de bons escultores e lembrando homens dos quais nos podemos orgulhar...
Parabéns Helder Carvalho

"Máquina de encher rios e animar espíritos"


"Solidão povoada, cada vez mais densa, a obra de Paulo Neves eterniza-se no diálogo fraterno entre a matéria e o homem, o sagrado e o divino."
Carlos Neves Carvalho






"O que começa por ser fascinante é o modo como entre si parecem establecer um diálogo, que como que prolonga o das árvores que antes de esculturas estas madeiras foram."
Bernardo Pinto de Almeida




Pois bem, agora que chegaram finalmente aqueles dias em que o calor nos conforta a alma, se passarem por Santa Maria da Feira espreitem a máquina de encher rios e animar espíritos...



"Máquina de encher rios e animar espíritos" é como se chama a escultura sonora que Paulo Neves está a concluir e que será instalada, junto ao rio Cáster, em Santa Maria da Feira. A inauguração será dia 29, integrada no 9º Imaginarius.

Está praticamente concluída a nova peça de Paulo Neves e que é uma das maiores que o escultor concebeu até agora, e que funcionará igualmente como instrumento musical. O som será produzido pela água do rio.

Hoje mesmo, a escultura "Máquina de encher rios e animar espíritos" começará a ser montada em Santa Maria da Feira, nos terrenos onde se realiza a feira medieval.
A escultura em madeira, ferro e água, está praticamente concluída e terá 23 metros, por dois de altura e quatro metros de largura.
Segundo o escultor, a obra agora criada é inspirada nos "malhós", peças movidas a água e que serviam para espantar os animais e proteger os campos.

Paulo Neves confessa que ouve falar deles desde criança, desde a altura em que um empregado do seu avô trouxe os saberes da aldeia e pôs em prática algumas invenções. Uma delas, conta o escultor, "era um piano movido a água, em que martelos gigantes basculavam pela gravidade de colheres em madeira que, enchendo lentamente de água, caíam em desequilíbrio sobre sonantes latas. Confesso que o "brinquedo" me ficou na memória e desde sempre mantive a ideia de criar uma escultura em torno desse tema e sistema".

Agora, desafiado pela Câmara Municipal da Feira e por mais uma edição do Imaginarius, meteu mãos à obra e decidiu fazer um trabalho, constituído por 21 rostos em madeira, de boca aberta, que deitarão água que cairá sobre grandes pias, também em madeira. A particularidade desta escultura é que incorporará a dupla função de instrumento musical, entoando sons , provocados pelo contacto entre o metal e a água. Nesta área, Paulo Neves conta com a colaboração do músico sérvio Aleksandar Caric-Zar.

"Máquina de encher rios e animar espíritos" é o concretizar de um sonho. O gosto pela música é na realidade outra das paixões de Paulo Neves que pretendeu desta forma juntar duas artes do seu agrado, a escultura e a música.

Esta obra tem vindo a ser trabalhadada há mais de meio ano e, pelas suas significativas dimensões, tem sido esculpida nos vários ateliês que o artista dispõe.
AGOSTINHO SANTOS

15.5.09

Que mundo!...




Contemplando a cidade e as pessoas, este pensamento não me larga...

A Europa tem um povo antigo, uma cultura digna de inveja, que atravessou mares nunca dantes navegados, unido numa comunidade europeia, conseguiu uma moeda única, ousou um pensamento global, mas o resultado...
Jovens de 20 anos sem formação nem emprego a viver do rendimento mínimo...
Outros com 30 e 40 anos têm formação superior, mas com empregos precários, não constituem familia,não são independentes e vivem com os pais...
Os pais têm 40 e 50 anos, estão desempregados, são velhos para o trabalho e novos para a reforma...
E os idosos?
São pedintes...
E aquela aula sobre Cesário Verde ficou presente no meu espírito...
Nada melhor que o último verso de "Contrariedades" para definir tudo isto...

"É feia...Que mundo!Coitadinha! "

Sérgio Carvalho




"A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com idéias, a forma como vivemos, o que está acontecendo."

Coco Chanel



www.tetriberica.com

Lembram-se do Sérgio?!...
Foi pena não ter continuado na turma, mas é sempre bom saber que está no seu melhor...
aqui vai um dos seus últimos trabalhos, é só clicar no site.

14.5.09

DID YOU KNOW?

Não queiras ser famoso. Não queiras ser um armazém de regras. Não queiras apreender a função das coisas. Não queiras ser o mestre do conhecimento que manipula. Procura compreender o mais algo degrau das coisas, viajando a um nível em que não há sinais, exercitando plenamente o que recebeste da natureza, negando tudo o que há de pessoal e subjectivo em ti. Numa palavra: procura o vácuo sem ideias.

Tchuang-Tseu, filósofo chinês ligado ao taoismo, século III ou II a. C., Book of Tchuang-Tseu

Esta citação mexeu comigo...

a velocidade é supersónica
o mundo está sem "travões"

vamos todos perder o avião...
conhecer o QUÊ?

11.5.09

ARTE



Yasmine Reza

'Arte' é uma comédia contemporânea (1994) em torno da amizade e das particularidades discursivas que caracterizam a criação artística. Três amigos (Sérgio, Mário e Ivo) discutem o investimento de um deles na aquisição de um 'Quadro Branco' assinado por um reputado artista plástico - o investimento significativamente elevado influencia o relacionamento dos três amigos, funcionando como detonador de uma série de conflitos e tensões que modificam profundamente a relação, como se a aquisição revele um mal-estar e um ciúme que afastam o comprador daqueles que partilham a sua vida. Em registo de divertida cavaqueira, a peça parte, assim, da consideração dos critérios valorativos da arte para outras questões de fundo das sociedades contemporâneas, nomeadamente a diferenciação cultural e social e a amizade.


É um estudo sobre a amizade, e no fim a tela em branco talvez seja símbolo daquilo que um amigo ao mesmo tempo é e não é. Pode ser uma coisa neutra, como o terceiro personagem, que não ajuda nenhum dos outros. Pode ser, também, esse espaço de liberdade em que apenas projetamos nosso próprio ego, e que serve como uma espécie de espelho opaco para nós mesmos. Pode ser, também, algo que nos traz alguma coisa de diferente, mesmo se o que ele traz não seja uma realidade externa e estranha a nós, mas algo que sabemos interpretar. O amigo, como qualquer obra de arte, está fora de nós, mas é também reflexo de nossa interpretação, e obra em que também colaboramos ativamente.

3.5.09

Apoio ao movimento MayDay no 1º Maio

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo. "
Clarice Lispector










Macau Antigo: Revista Collier's: 26 Junho 1937

Macau Antigo: Revista Collier's: 26 Junho 1937 : Na edição de 26.6.1937 a revista Collier's (fundada em 1888 nos EUA) dedica um arti...