"Le théâtre de Salpêtrière"
"A artista monta um teatro, expondo as mulheres-bonecas, protegidas em redomas. A santidade e a loucura de mãos dadas, num espaço sagrado, que podemos ver mas não tocar. Toma como referência a memória de erráticas mulheres, como velhas bonecas de porcelana, com as maçãs do rosto exageradamente maquilhadas com mercurocromo, que perderam a sua aura e a sua redoma agora é o autocarro, tornado nave dos loucos, navegando pela cidade.
Intangíveis, bailam quietas.Princesas que perderam ou recusaram o seu papel e assim, mais que a coroa, perderam a cabeça. São princesas zombies perdidas no rio do tempo, condenadas a pensar com os sentidos."
António Fernando Silva.
Ana Sofia Gonçalves
"Memórias Arquivadas"